Estreia de espetáculo na Catedral da Sé retrata santos carmelitas

A Catedral da Sé, em São Paulo, será palco do espetáculo “Trilogia da Noite Escura da Alma”, que apresenta monólogos baseados na vida de santos carmelitas.

Trilogia e suas temáticas

A Trilogia da Noite Escura da Alma, sob a direção de Helder Mariani, traz um novo olhar sobre a espiritualidade carmelita através de três monólogos que exploram as experiências de vida de figuras notáveis dessa tradição. O espetáculo acontece na Catedral da Sé, um local histórico que adiciona profundidade ao contexto das narrativas, que se entrelaçam com os sentimentos de abandono, solidão e busca por significado.

Estreando no dia 6 de outubro, as apresentações ocorrem às terças-feiras a partir das 19h, com a capacidade limitada a cem espectadores por sessão. Essa proposta de limitar o público busca não apenas a segurança, mas também uma experiência mais íntima e imersiva.

Monólogos apresentados no espetáculo

Os três monólogos apresentados na Trilogia da Noite Escura da Alma são inspirados nos escritos de santos da tradição carmelita. O primeiro, sobre São João da Cruz, é interpretado por Mariani, que contextualiza sua história e seus ensinamentos dentro da cripta da catedral, fazendo alusão ao cárcere onde o santo foi preso. Santa Teresinha do Menino Jesus, vivida por Gabriela Cerqueira, apresenta-se no coro, refletindo sua união com a comunidade. Por fim, a filósofa alemã Edith Stein, interpretada por Daniela Schitini, traz à tona sua vivência na cela do convento onde estava presa, o que permite ao público sentir a tensão de sua situação e as reflexões sobre sua vida e morte.

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A encenação foi projetada para que cada ambiente da catedral dialogasse com as narrativas, ressaltando a multidimensionalidade dos personagens e suas jornadas pessoais, afastando a ideia de santidade idealizada e aproximando os espectadores das experiências humanas universais que eles vivenciaram.

A encenação e a interação com o público

A interação entre os atores e o público é um dos pontos altos da Trilogia da Noite Escura da Alma. Os espectadores são conduzidos pelas atrizes através dos diferentes espaços da catedral, transformando a experiência teatral em um passeio reflexivo e sensível, onde o ambiente se torna parte da narrativa.

O diretor, Helder Mariani, enfatiza que a proposta é provocar um diálogo entre a mística cristã e questões contemporâneas, utilizando referências de filósofos como Byung-Chul Han e Jacques Lacan para discutir temas como o vazio e a busca por sentido em um mundo cada vez mais individualista.

Esse enfrentamento entre a grandiosidade da catedral e as emoções desencadeadas pelas histórias de vida das figuras carmelitas propõe uma reflexão sobre a solidão e a busca por conexão em grandes centros urbanos. Assim, a Trilogia da Noite Escura da Alma não se limita apenas a contar histórias, mas convida o público a mergulhar em uma experiência de introspecção e reflexão coletiva.