Sob uma Manhã Fria e Chuvosa
Com a temperatura em São Paulo marcando apenas 10°C e a chuva constante, Maria Hortênsia, uma participante ativa de 72 anos do Grito dos Excluídos, não deixou que os elementos adversos a impedissem de chegar à Praça da Sé. Ela, que participa do evento há cerca de duas décadas, compartilhou sua motivação com o Brasil de Fato: “Estamos aqui em defesa da nossa luta e pela nossa presença, visando um Brasil melhor.” Este foi o tom que permeou a 32ª edição do evento, que ocorreu em diversas localidades do Brasil no dia 7 de setembro.
Início Solidário da Mobilização
Antes do ato político, um café solidário foi oferecido pela Pastoral do Povo da Rua. Com a distribuição de 2 mil xícaras de café, além de frutas como bananas e mexericas, o evento teve um início marcante que evidenciou a solidariedade com a população em situação de rua.
Uma Luta Contínua
Hortênsia, que é integrante da Marcha Mundial das Mulheres e do Fórum de Saúde de Campo Limpo, enfatizou que enfrentar o frio é apenas uma parte de um desafio maior: “É essencial que lutemos por nossos direitos, pelo salário justo e por nossa vida. Os excluídos são sempre aqueles que arcam com as consequências das falhas dos poderosos.”
O que Representa o Grito dos Excluídos
Integrada na história social do Brasil desde 1995, o Grito dos Excluídos é um reflexo das discussões da segunda Semana Social Brasileira, gestada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil nos anos 90. Este evento se estabelece como um contraponto às celebrações oficiais do Dia da Independência, trazendo à tona pautas que versam sobre a qualidade de vida da população.
Homenagens e Realizações
A programação da mobilização começou bem cedo, às 7h, com o café da manhã solidário na Praça da Sé. Por volta das 9h, teve início o ato político-cultural, com a caminhada programada para as 10h, que tinha como trajeto: Praça da Sé, passando pelo Pátio do Colégio, Largo São Bento e finalizando no Largo São Francisco. Três pontos foram reservados para discursos políticos: Praça da Sé, Largo São Bento e Largo São Francisco.
Retrospectiva e Importância da Mobilização
A memória do Grito dos Excluídos é rica em história e significado. Este ano, o lema que guiou a manifestação foi: “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!” A comunidade clama por garantias de moradia digna, reforma agrária, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio e a abolir a jornada de trabalho 6×1.
Testemunhos dos Participantes
Rosenilda Menezes de Souza, 64 anos, também se juntou ao grupo e comentou sobre sua experiência ao longo dos anos no Grito. Beneficiária do programa Minha Casa, Minha Vida, ela notou a diminuição do número de participantes em comparação a edições passadas, mas reafirmou a importância de sua presença: “Mesmo que pequeno, é essencial, por isso continuo vindo.”
O Grito e o Ano Eleitoral
Hortênsia ressaltou que a realização do Grito durante um ano eleitoral agrega mais força à manifestação. “Se todos nós, excluídos, unirmos nossas vozes, conseguimos conquistar e mudar a trajetória, pois somos a maioria. É crucial que tenhamos consciência de nossa luta.”
Encerramento e Celebrações Finais
O ato culminou às 12h com uma missa na Catedral da Sé, presidida pelo cônego Marcelo Monge e acompanhada por padres convidados, encerrando uma jornada significativa em defesa dos direitos e dignidade da população brasileira.
A Importância da Participação Cidadã
A participação ativa em eventos como o Grito dos Excluídos é um reflexo do engajamento da sociedade civil nas questões que impactam a todos. A mobilização não só denuncia as injustiças mas também fortalece a esperança de um futuro melhor, onde os excluídos possam reivindicar dignidade e direitos fundamentais. Esse espírito solidário e combativo é uma chama que deve ser mantida viva por todos os que acreditam no poder da coletividade.



