A Arte que Retrata o Fim dos Tempos
O artista plástico Alex Flemming traz ao Centro de São Paulo uma reflexão angustiante sobre a fragilidade da civilização contemporânea através de sua mais recente exposição, intitulada “Apocalipse”. Esta mostra, que será inaugurada no dia 9 de agosto, se estabelecerá nas ruínas dos Palacetes da Sé, um conjunto histórico que está recebendo nova vida como um espaço cultural. Com obras que evocam a destruição e a beleza, Flemming propõe um diálogo profundo sobre temas urgentes e relevantes.
O Retorno de Alex Flemming ao Brasil
Aos 72 anos, Flemming retorna ao Brasil após uma longa temporada de 34 anos em Berlim, na Alemanha. Durante sua estada no exterior, o artista solidificou sua carreira e conquistou reconhecimento internacional. Agora, em um momento de reflexão pessoal e artística, ele decide voltar para contribuir com a cena cultural brasileira. “Vivenciei a maior parte da minha vida fora do Brasil e é hora de retribuir e mostrar a minha visão sobre o mundo atual através da minha arte”, afirma o artista.
Palacetes da Sé: Um Cenário Histórico
Os Palacetes da Sé, onde a exposição será realizada, são uma representação significativa do patrimônio arquitetônico de São Paulo. Localizados próximos à Praça da Sé, esses edifícios que foram abandonados por 85 anos agora são reabilitados como um centro cultural. A deterioração das paredes e dos tijolos visíveis nas construções amplia o impacto visual da exposição, oferecendo um cenário apocalíptico que conversa diretamente com o conteúdo das obras.
A Frágil Civilização em Tempos Modernos
A série “Apocalipse” teve sua gênese em 2015, quando Flemming, que acompanhava os acontecimentos da Europa, presenciou os atentados terroristas ao Teatro Bataclan em Paris. Esses eventos o levaram a refletir sobre a fragilidade da civilização moderna e o colapso de valores como a diversidade e a aceitação. Assim, sua obra é um olhar crítico e poético sobre a vulnerabilidade da sociedade diante de conflitos, crises e a própria destruição de marcos culturais.
Beleza e Destruição: A Filosofia de Flemming
Embora explore temas sombrios, Flemming enfatiza a busca por uma estética que exala beleza e sensualidade. Para ele, é fundamental que suas obras, mesmo ao abordarem assuntos tão pesados como o apocalipse, sejam visualmente impactantes. “Como colorista, é meu dever criar algo que seduza e encante, mesmo quando o tema é a destruição”, explica. Essa abordagem singular faz ecoar a tradição da pintura renascentista e pré-renascentista, onde o uso vibrante da cor desempenha um papel crucial.
Obras em Grande Escala: Uma Experiência Visual
Na mostra, serão exibidas 37 pinturas em grande escala, proporcionando uma experiência imersiva para os visitantes. O percurso observado começa com a série “Retratos Invisíveis”, que apresenta figuras humanas translúcidas e coloridas, que transmitem uma sensação etérea. A transição entre essas obras e o universo do “Apocalipse” é uma jornada simbólica que aborda a coexistência entre a vida e a destruição.
A Iluminação Natural como Protagonista
Um elemento inovador na exposição é a decisão do artista de depender principalmente da luz natural para realçar suas obras. A iluminação vai mudar ao longo do dia, o que impactará na percepção das pinturas, criando diferentes ângulos e nuances. “A experiência será única a cada hora; cada momento trará uma nova interpretação das obras”, comenta Flemming. Esse uso da luz não apenas embeleza, mas também reforça a mensagem de transformação e efemeridade que permeia toda a exposição.
Conceitos de Eros e Tânatos na Arte
Outro aspecto fundamental à estética de Flemming é a dualidade entre Eros e Tânatos, que representa vida, desejo e morte. “Esses conceitos estão ativos em nossa existência; tudo possui um começo e um fim, são duas faces de uma mesma moeda”, reflete o artista. Essa filosofia é palpável em muitas de suas obras, permitindo que os espectadores sintam a intensidade da vida e a inevitabilidade de sua cessação.
Reflexões sobre Abandonos e Fins
Com uma narrativa visual que remete a cenários apocalípticos, Flemming quer que o público perceba o abandono como um desfecho potencial. Ao articular essa mensagem na crua realidade da deterioração dos Palacetes da Sé, o artista convida os visitantes a contemplarem o que muitas vezes preferimos ignorar: o fim de ciclos e a transformação como partes normais de nossas vidas.
Visite a Exposição: Datas e Local
A exposição “Apocalipse” acontecerá do dia 9 ao 30 de agosto e estará aberta diariamente das 11h às 16h, na Rua Roberto Simonsen, 97 – Sé, no Centro Histórico de São Paulo. A entrada é gratuita, permitindo que todos tenham a oportunidade de experimentar essa visão provocativa e reflexiva do artista.



