História do Grito dos Excluídos
O Grito dos Excluídos e Excluídas nasceu em 1994, durante a 2ª Semana Social Brasileira, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O foco inicial da iniciativa foi abordado sob o tema “Brasil, alternativas e protagonistas”. Uma fonte de inspiração adicional foi a Campanha da Fraternidade de 1995, cujo tema girava em torno da fraternidade e dos excluídos.
O evento inaugural ocorreu em 7 de setembro de 1995, adotando o lema A vida em primeiro lugar. A escolha dessa data foi intencional, servindo como um contraponto ao tradicional Grito da Independência. O objetivo era incentivar um questionamento em relação ao verdadeiro acesso que a população possui aos direitos e à riqueza gerada no Brasil.
As organizações que promovem o Grito enfatizam que o dia 7 de setembro deve transcender a mera celebração, representando também um momento de conscientização política e reivindicações. O intuito é superar um patriotismo passivo, configurando uma cidadania dinâmica e participativa nas decisões do país.
Desde 1996, a CNBB se tornou a responsável pela estrutura do Grito, que foi formalmente adotado em assembleia como parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio. Desde então, a mobilização consolidou-se como um fenômeno coletivo, que envolve preparativos antes, durante e após os atos de setembro.
Importância da Mobilização Social
A mobilização tem um papel essencial na promoção das vozes de grupos marginalizados, tornando-se uma plataforma para a reivindicação de direitos fundamentais. O Grito tem como principal objetivo sintetizar as demandas coletivas de uma sociedade que frequentemente enfrenta desigualdade e exclusão.
Por meio dessa mobilização, são abordadas questões como: a luta pela terra, o acesso à moradia digna, a paz e a soberania nacional. O Grito visa não apenas a conscientização, mas também a construção de um espaço onde as vozes dos excluídos se tornem ressonantes e façam ecoar suas realidades.
Os Direitos das Mulheres em Foco
A edição de 2026 do Grito traz um foco especial nas questões que envolvem os direitos das mulheres. O lema desta vez enfatiza a “defesa da Terra, da Paz e da Moradia”, destacando a importância de tratar da violência contra mulheres, da opressão e das desigualdades de gênero que afetam a vida cotidiana de tantas brasileiras.
A proposta é evidenciar que as mulheres, especialmente aquelas em situações vulneráveis como as negras, indígenas e de áreas periféricas, enfrentam múltiplas camadas de violência, cujas consequências são devastadoras. Com mais de 1.500 assassinatos de mulheres reportados em 2025, a mobilização quer trazer essa dura realidade para o centro do debate social.
A Luta pela Soberania Nacional
No contexto atual, a luta pela soberania é crucial. A soberania não diz respeito apenas à autonomia política, mas também à capacidade do povo brasileiro de definir seus próprios rumos econômicos e sociais, livres de influências externas e da exploração de seus recursos naturais. O Grito propõe um compromisso com a defesa das riquezas do país e a autodeterminação dos povos.
Esse debate integra a luta por uma sociedade que seja verdadeiramente democrática e onde todos os cidadãos tenham voz ativa nas decisões que moldam seu cotidiano. A mobilização reafirma a necessidade de proteger a democracia brasileira e resguardar as matérias-primas e recursos estratégicos do país, que não devem ser entregues a interesses do mercado internacional.
Condições de Vida no Brasil Hoje
As condições sociais no Brasil demandam atenção urgente. O Grito dos Excluídos e Excluídas visibiliza as carências que milhões de brasileiros enfrentam, especialmente em relação à moradia e ao acesso a serviços básicos. O déficit habitacional é alarmante, com a Fundação João Pinheiro apontando 5,97 milhões de domicílios inadequados em todo o país.
O movimento denuncia também a especulação imobiliária e o aumento dos aluguéis, que afastam as famílias de baixa renda das áreas com infraestrutura e acesso a serviços essenciais. No campo, a luta pela terra é evidenciada, refletindo as violências e os conflitos que assolam comunidades tradicionais, indígenas e trabalhadores rurais.
Atos Confirmados em Diferentes Cidades
Os atos do Grito dos Excluídos e Excluídas em 2026 já têm locais confirmados em várias cidades brasileiras:
- São Paulo (SP): A concentração ocorrerá na Praça da Sé, das 9h às 11h30.
- Brasília (DF): A manifestação teve início às 10h, na Praça Zumbi dos Palmares, com foco em feminicídio e déficit habitacional.
- Vitória (ES): Os participantes se reunirão no Parque do Portal do Príncipe, às 8h, seguindo em caminhada até o Palácio Anchieta.
- Curitiba (PR): O ato, organizado pela Frente de Lutas, ocorrerá na Praça Tiradentes, a partir das 14h30.
- Aracaju (SE): Concentração na Praça da Bandeira, às 8h, com um Ato Ecumênico e Político Cultural.
Impacto do Grito nas Comunidades
O impacto do Grito é sentido nas comunidades que se mobilizam em torno dessas lutas. Ele promove diálogos importantes e traz visibilidade às necessidades dos mais vulneráveis. Ao articular diferentes vozes e grupos, o Grito se configura não apenas como um ato isolado, mas como uma corrente vigorosa que busca engajar a população na defesa de direitos.
As comunidades que participam do Grito têm a oportunidade de se unir, fomentar um senso de coletividade e encontrar força nas suas demandas. Essa sinergia é vital para enraizar as questões sociais nas pautas políticas e garantir que essas vozes sejam ouvidas.
Desafios Enfrentados pelos Movimentos
Os desafios enfrentados pelos movimentos sociais são significativos. A repressão das vozes dissidentes, a dificuldade em garantir espaços para organização e as divergências internas são obstáculos que precisam ser superados para que o Grito continue a prosperar como um agente de mudança.
Além disso, a necessidade de diálogo com os setores governamentais e a construção de um ambiente que favoreça a participação é vital. Movimentar-se em meio a contextos de crise e desigualdade requer estratégia, união e uma visão clara dos objetivos a serem alcançados.
Reflexões sobre Independência e Cidadania
O Grito dos Excluídos propõe uma reflexão profunda sobre o significado de independência no Brasil contemporâneo. Uma independência que não se restrinja a uma data no calendário, mas que represente conquistas concretas e a garantia de direitos a todos os cidadãos.
Promover uma cidadania ativa significa engajar as pessoas na luta por seus direitos e na reivindicação de uma sociedade mais justa e igualitária. O Grito propõe, assim, um novo entendimento sobre o que é ser livre e cidadão em um Brasil que ainda carece de grandes avanços sociais.
O Futuro do Grito dos Excluídos
Ao se aproximar da sua 32ª edição, o Grito dos Excluídos e Excluídas reafirma a relevância de sua mensagem: independência, democracia e soberania se realizam verdadeiramente quando se traduzem em direitos efetivos para todos. No 7 de setembro de 2026, as ruas se encherão novamente de vozes clamando pela prioridade da vida, da dignidade e do respeito aos direitos humanos.
Por meio da mobilização, o Grito busca não apenas divulgar sua mensagem, mas também abrir espaço para a construção de um futuro onde todos os cidadãos tenham o que necessitam para viver dignamente.



